Direção de Núcleo e a prática do Bastão

Quando iniciei meu estudo do Luk Dim Bun Gwan, o domínio do Ving Tsun onde se trabalha com o bastão, me sentia despreparado. De fato, eu estava certo. Ainda era inocente no entendimento da forma de se aprender Kung Fu e não um tinha um bom contato com Si Fu. Mas é assim que se aprende. Hoje noto como isso foi vital no meu processo. Acho que não poderia ter sido de outra forma. Si Fu, ao me dar acesso o Luk Dim Bun Gwan, me entregou, precisamente, o cenário que eu precisava.

Meu Si Hing, Eduardo Fauzi, iniciou no último sábado a primeira prática desse mesmo domínio. O Jin Choei, prática representada na foto abaixo, costuma ser muito desafiador para quem nunca teve contato. A frase dele, após um longo período de tentativas foi “é uma prática solitária mesmo”. Eu próprio não poderia usar outra palavra para descrever.

Eduardo Fauzi praticando o Domínio Mui Fa Jong em 2017.
Meu Si Hing Eduardo Fauzi praticando o Domínio Mui Fa Jong em 2017. No mesmo local onde ele está, eu praticava o Gwan.

Pouco depois da minha cerimônia de acesso, assumi a direção do Núcleo Barra. Para isso, eu estava mais despreparado ainda. Passava muitas horas sozinho no Núcleo pensando em como melhorar, em como estabilizar a situação sem saber de onde retirar uma referência. A sensação era de total vazio. Lembro do Si Fu chegar ao Núcleo, se sentar na mesa da recepção com seu computador e dizer “Pega o gwan“. Então eu começava a praticar. Após o que me parecia duas horas de prática exaustiva com Si Fu em silêncio no seu computador, ele fazia um comentário sobre mim. Isso mudava o rumo da prática. E o silêncio retornava. Depois ele ia embora e eu continuava praticando. Esse era meu típico momento de acesso. A verdade é que isso tudo acontecia em 40 minutos. Mas a experiência era muito intensa.

Recepção do Núcleo Barra CEO. Nesse dia, trabalhávamos no Dossiê de Si Fu, Mestre Julio Camacho.

O bastão é uma arma grande e pesada. É fácil tentar o manipular com base em sua própria força, cansar e desistir. Para trabalhar com esse instrumento, se deve aprender a entender sua natureza e a amenizar seu peso. É como se o bastão devesse fazer parte de você. Por isso é tão solitário, acredito.

Olhando para trás, não sei se Si Fu propositalmente criava situações que aproximassem da natureza do Luk Dim Bun Gwan ou se eu simplesmente encarei as coisas pelo viés de meu estudo da época. Mas acredito que seja principalmente a segunda opção com uma pitada da primeira.

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